Viajar, Viagem, Viagens


Blog sobre Viagens, conheça os melhores destinos, informações úteis para quem vai viajar, veja como tirar passaporte, visto, e claro ter acesso a promoções exclusivas de passagens aéreas!

Como foi a viagem e a chegada da família real no Brasil ?

Como foi a viagem e a chegada da família real no Brasil ?
Queria saber um pouco mais da passagem da família real pela Bahia !
Estamos em um projeto e necessito de mais informações ajuda ai por favor ! Beijinhos….

como foi a viagem da familia real para o brasil, jodos de maria tereza e boi de janeiro de Pedra Azul, o que a corte portuguesa encontrou ao desembarcar no brasil mais precisamente no rio de janeiro, Rio de Janeiro em 7 de Março de 1808” Quadro de Geoffrey Hunt, yhs-fullyhosted_003, apos 54 dias de viagem a famillia real chegou ao brasil qual foi a primeira medida tomada por dom joao ao chegar ao brasil

.


Responder Facebook

3 Comentários sobre "Como foi a viagem e a chegada da família real no Brasil ?"

Participe você também, faça seu Comentário!

  1. Wender P diz:

    No google vc deve achar.

  2. Linda Garota diz:

    Você pode tirar umas informações no filme “Carlota Joaquina – Princesa do Brasil”. Tirando o excesso e a caricatura que fizeram foi aquilo mesmo. Lembro que os nobres tiveram um surto de piolho tão forte que chegaram usando lenços na cabeça. E o povo daqui copiou achando que era a moda!

    E as casas que foram separadas aqui no Brasil para alojar os nobres ? Tem muitas história legal.

  3. Kebao A diz:

    Posted: Tue Jan 15, 2008 7:27 pm Post subject: A Transmigração da Corte Portuguesa para o Brasil

    ——————————————————————————–

    Agora em janeiro, mais precisamente, dia 22, completam-se 200 anos que a corte portuguesa chega ao Brasil. Para iniciar o tópico postarei um texto publicado pelo “Projeto Reeducar”.

    1807-1808 – A VERDADEIRA HISTÓRIA DA TRANSMIGRAÇÃO DA FAMÍLIA REAL DE PORTUGAL

    A viagem que vamos descrever foi mais uma decisão sábia do grande estadista, Sua Alteza Real Regente, o Príncipe Sr. Dom João a qual, apesar de complexa e perigosa, sob a sua liderança, resultou em êxito total. Tão sábia foi esta decisão que a Família Real Espanhola tentou copiá-la em seguida, porém sem sucesso. As conseqüências positivas para Portugal, Brasil e Inglaterra foram inúmeras. Apenas a França lamentaria o evento.

    Mesmo aceitando a importância desta viagem, até recentemente poucos detalhes eram conhecidos e, mesmo assim, quase sempre descritos por quem se encontrava em terra. Inúmeras dúvidas permaneceram sem resposta. Por exemplo: o que causou a Família Real a se separar, logo no início da viagem? Porque a Família Real aportou em Salvador, de Bahia, quando seu destino era o Rio de Janeiro? A falta de documentação impediu historiadores, nesses quase dois séculos, de responder essas e outras perguntas.

    Esta apresentação, tornou-se possível, pois reflete o conteúdo de uma nova fonte primária. Consiste ela, na análise dos livros de quartos das naus britânicas que bloqueavam o rio Tejo, em novembro de 1807, e que acompanharam a Real Esquadra Portuguesa na sua jornada; também nos relatórios dos capitães ingleses durante e ao término da viagem.

    A perspectiva, portanto, muda por completo; agora temos informações sobre o que estava acontecendo no mar. Os registros escritos enquanto velejavam, são muito detalhados e precisos; podemos confirmar algumas informações previamente conhecidas, desmentir outras e, através de muitos dados novos, reconstruir a jornada.

    Em 1995, terminada a pesquisa e a interpretação dos livros de quartos, redigidos muitas vezes debaixo de tempestades no alto mar e usando uma linguagem da época enriquecida pelo vocabulário peculiar da Royal Navy, publiquei uma transcrição destes livros, como também os relatórios de viagem, do Capitão Walker, que comandou a Bedford até Salvador e depois ao Rio de Janeiro, e do Moore, Capitão da Marlborough e Comodoro da Real Esquadra Britânica. No ano que vem esperamos publicar, enriquecido por contribuições de eminentes historiadores portugueses, um relato destinado ao grande público.

    Mesmo após a Batalha de Trafalgar, em 1805, quando a Real Esquadra Britânica conseguiu dominar os mares e evitar a invasão da Inglaterra, Napoleão não desistiu. Com o Tratado de Berlim, de 1806, a França tentava vencer a Inglaterra por meio econômico, impondo o Bloqueio Continental. Portugal não aderiu ao bloqueio assim, em 1807, a França decidiu impor-se. Inicialmente pelo Tratado de Tilsit e, mais tarde, Fontainebleau, o caminho para ocupar Portugal, como Napoleão tinha feito em tantos outros países, estava aberto.

    Em vista das possíveis conseqüências desta política, Dom João iniciou a discussão sobre uma estratégia alternativa que, muitas vezes no passado, tinha sido examinada sempre que uma crise viesse a abalar o país – a transferência da Família Real Portuguesa, Corte e Capital para o outro lado do Atlântico, para o Brasil. Desta vez, seria diferente; a estratégia não só seria amplamente debatida, mas também implementada!

    Seriamos injustos com Dom João, se não mencionássemos as dificuldades que ele enfrentou na tentativa de alcançar as metas que tinha intimamente estabelecido. A sua equipe era composta de homens inteligentes, porém com idéias e atitudes muitas vezes conflitantes.

    No seu próprio Conselho de Estado, existia a divisão entre francófilos, liderados por Dom António de Araújo de Azevedo e anglófilos, liderados por Dom Rodrigo de Sousa Coutinho. Sua sapiência, possibilitou a extração daquilo que cada um tinha de melhor a oferecer, para o bem da nação.

    Rodrigo de Sousa Coutinho, conde de Linhares

    Os ministros, em Paris – Dom Lourenço José Xavier de Lima, e em Madrid – Dom Ayres José Maria de Saldanha Coutinho Mattos e Noronha, 2º Conde da Ega, pareciam ter-se deixado encantar por Napoleão, o que fez com que eles se tornassem muito mais um obstáculo do que um recurso. Mais tarde, ambos se deram mal – Justiça divina? Para escapar dos seus credores franceses Dom Lourenço teve, com permissão do Príncipe Regente, procurar imunidade diplomática junto ao ministro em Londres, o Conde (futuro Duque) de Palmela; enquanto o Conde da Ega foi, em 1811, condenado à morte e destituído de todos os seus bens e honrarias. Em 1823 esta sentença foi revogada. Foi por essas e outras ações que Dom João entrou para a história com o cognome de o Clemente.

    Organizar uma viagem levando uma Corte inteira para o outro lado do mundo e ainda, sem transparecer o que estava acontecendo, não foi uma tarefa fácil nem pode ser realizada de um momento para outro. Existem fortes evidências que, em agosto de 1807, Dom João raciocinou de que sua melhor opção seria a transferência da Família Real e Corte para o Brasil. Os preparativos então começaram: mandou aprontar as naus Afonso de Albuquerque, Medusa e Conde Dom Henrique, que se encontravam em Lisboa; ordenou à Esquadra, que se ocupava em proteger a frota mercante de piratas nos Estreitos de Gibraltar, a voltar ao estuário do Tejo. Iniciou negociações com a Grã-Bretanha que culminaram com o Convênio que foi assinado, a 22 de outubro; a nação que dominava os mares escoltaria a Real Esquadra Portuguesa na sua jornada. Enviou ao Brasil, em 7 de setembro, o Gavião, um bergantim de 22 peças e tripulação de 118 homens, comandado pelo Primeiro-Tenente Desidério Manuel da Costa, com ordens ao Vice-Rei para suspender a partida de navios mercantes; e, finalmente, desenvolveu-se a discussão sobre o envio ao Brasil do filho, Dom Pedro; provavelmente uma estratégia para despistar os preparativos.

    Lord Strangford, então com 28 anos, Ministro Interino na ausência do Ministro Plenipotenciário Lord Robert FitzGerald, reportou aos seus superiores após entrevista, em Mafra a 25 de setembro, “…todos os sentimentos de religião e dever proibiam-no de abandonar o seu Povo até o ultimo momento, e até que esforços tivessem sido feitos para salvá-los e para justificar-Se perante Deus e o Mundo; que em caso extremo ele tinha decidido retirar-Se para Seus Domínios Transatlânticos ….”.

    Em Lisboa com a retirada dos representantes da França e da Espanha, a pressão aumentou. Boatos que o Exército Francês preparava-se para invadir Portugal forçou Dom João, muito contra a sua vontade, a aprovar medidas contra os súditos britânicos. Strangford retirou as armas do prédio que ocupava e, na tarde de 18 de novembro, acompanhado por auxiliares e os arquivos transferiu-se para a nau London.

    Na Inglaterra os termos do Convênio assinado com Portugal começaram a ser implementados. Em 11 de novembro uma esquadra, sob o comando do Contra-Almirante de pavilhão azul Sir Sidney Smith, partiu da base de Plymouth.

    Em 16 do mesmo mês, a esquadra encontrava-se a postos patrulhando a foz do Tejo. As notícias de Lord Strangford com evidências inequívocas de hostilidades, fez com que fosse declarado o bloqueio do Tejo. Todos os navios estrangeiros seriam revistados e aqueles de nacionalidade francesa ou espanhola, apreendidos.

    Em Lisboa, o Cônsul-Geral Mr. Gambier, tentava liberar os prisioneiros de guerra britânicos. Em 21 de novembro partiu num brigue português e juntou-se à esquadra. Desde o dia 9, o Príncipe Regente havia confirmado a nomeação, por Lord Strangford, de John Bell, para desempenhar as funções de: “…agente para prisioneiros de Guerra britânicos…”.

    No dia 22 chegou a nau Plantagenet, trazendo o jornal Le Moniteur de 11 de novembro enviado por Dom Domingos Antônio de Sousa Coutinho, Ministro junto à Corte de S. James. As ameaças feitas por Napoleão, sobre o que aconteceria com a Família Real, quando lá chegasse, eram bem claras.

    Na manhã do dia 24, quando os ventos da tempestade do dia anterior tinham diminuído, a corveta Confiance, Capitão James Yeo, largou para Lisboa a fim de entregar este importante documento.

    Era o momento crítico esperado por Dom João, pois com a fronteira terrestre invadida por Exércitos da França e Espanha e a sua fronteira marítima sob bloqueio, suas alternativas encontravam-se exauridas. Tudo tinha sido feito – perante Deus, seus súditos e o mundo – ninguém poderia acusá-lo de não ter, por todo o meio, tentado resguardar o seu país.

    O Conselho de Estado presidido pelo Príncipe Regente, se reuniu naquela mesma noite e tomou a decisão de partir para o Brasil. A Real Esquadra Portuguesa estava pronta para a viagem, faltando apenas embarcar os passageiros e colocar a bordo as carruagens, arquivos, cofres, pratas e mil e uma coisas; em soma tudo aquilo necessário para transferir e estabelecer a Capital do Reino no outro lado do Atlântico. Nem a França nem a Espanha suspeitavam do que estava acontecendo. Os planos, organizados sob a iniciativa de Dom João, estavam a um passo de serem realizados.

    Embarque para o Brasil do Príncipe Regente de Portugal, D. João VI, e de toda a família real, no Porto de Belém, às 11 horas da manhã de 27 de novembro de 1807. Gravura feita por Francisco Bartolozzi (1725-1815) a partir de óleo de Nicolas Delariva.

    À tarde do dia 27, a Família Real embarcou. Estava assim distribuída: na nau Príncipe Real: Dona Maria I, Dom João, os Infantes Dom Pedro e Dom Miguel e o Infante da Espanha Dom Pedro Carlos; na Afonso de Albuquerque: Dona Carlota Joaquina, com suas filhas, as Infantas Dona Maria Isabel Francisca, Dona Maria d’Assunção, Dona Ana de Jesus e Dona Maria Tereza; na Príncipe do Brasil: a Princesa viúva Dona Maria Francisca Benedita e a Infanta Dona Maria Ana, ambas irmãs da Rainha; e na Rainha de Portugal: as filhas de Dona Carlota Joaquina, as Infantas Dona Maria Francisca de Assis e Dona Isabel Maria.

    O embarque dos demais foi, compreensivelmente, muito tumultuado. Faltava a experiência de como embarcar milhares de pessoas; a grande maioria, provavelmente, pela primeira vez. O que levar, o que deixar – sem saber por quanto tempo estariam ausentes das suas casas ou mesmo se um dia voltariam. O medo do Exército que se aproximava, a angústia dos parentes que ficavam – tudo debaixo de uma chuva incessante.

    A Esquadra velejaria lotada porque muitas pessoas importantes, como o Núncio Apostólico, Monsenhor Caleppi, não conseguiriam nem embarcar. Outros, como Dom Pedro de Sousa Holstein, futuro Duque de Palmela, foram obrigados a voltar a terra, depois de embarcar.

    Lord Strangford, na véspera da partida, com muita dificuldade porque o vento começava a virar, entrou no Tejo e encontrou-se com Dom Antonio de Araújo de Azevedo, a bordo da nau Medusa. O livro de quartos da corveta Confiance registra a sua volta a bordo às 8h00 da manhã.

    Na noite do dia 28 o vento mudou de direção, de noroeste para sueste, permitindo a saída do Tejo. Na madrugada do dia 29, as naus começaram os preparativos finais para a viagem. A partida não poderia ter sido adiada porque apenas 18 horas depois, Junot, comandante das tropas francesas alcançaria Lisboa.

    A Medusa e a Martim de Freitas lideraram a Esquadra para fora do rio, deliberadamente passando junto à Esquadra Imperial Russa fundeada próximo à entrada da barra, a fim de avaliar suas intenções e observar possíveis reações. Depois foi a vez daquelas naus que transportavam membros da Família Real alcançarem aquele trecho do rio. A Martim de Freitas levava o prático do rio até a barra. Como não houve como retorná-lo, o mesmo viajou até o Brasil!

    Caso o Almirante russo, Siniavin, soubesse que a sua Pátria iria declarar guerra contra a Grã-Bretanha, em 2 de dezembro, a saída do Tejo da Real Esquadra Portuguesa poderia ter sido bem diferente.

    Ao atravessar a barra do Tejo naquela manhã, a Real Esquadra Portuguesa encontrou-se com a Real Esquadra Britânica. Este esperava velejando em linha de batalha. Após ter recebido o sinal “preparar para batalha” da nau-capitânia, as naus tinham sido transformadas em máquinas de guerra, com seus marinheiros e fuzileiros guarnecendo as peças, prontos para o combate. Sir Sidney não estava disposto a correr qualquer risco. Após um diálogo amistoso a bordo da Príncipe Real, a troca de salvas previamente negociada ocorreu às 4:30h da tarde. A nau Príncipe Real, não participou devido à enfermidade da Rainha. A jornada começou com a Esquadra velejando rumo ao noroeste, pois os ventos de tempestade do sueste não permitiam outra alternativa. Para abaixar o centro de gravidade, as peças mais altas dos mastros (mastaréo, mastaréo do joanete e vergas) foram desarmadas e amarradas no convés. Esse rumo era mais confortável e menos perigoso, do que aproar as naus rumo à Ilha da Madeira e receber o mar de través, mesmo assim, ficaram submetidos à arfagem. A nau-capitânia britânica Hibernia, ao anoitecer registrou 56 velas à vista.

    O vento forte que soprou em Lisboa fez historiadores escreverem do perigo e do mal estar dos passageiros ao velejarem com um mar de través. Imaginavam que a Esquadra, naquele momento, velejava em direção ao Brasil. O rumo verdadeiro não poderia ser visto da terra! Naquela ocasião, fuzileiros das naus Hibernia, Marlborough e London foram transferidos para a fragata Solebay e as corvetas Confiance e Redwing tentavam sem sucesso, devido ao mau tempo, capturar o forte do Bugio.

    Na terceira noite, com a mudança da direção do vento, foi possível alterar o rumo. Nas primeiras horas da tarde do dia seguinte, atravessaram a latitude de Lisboa navegando em direção à Ilha da Madeira. Eram 18 velas de guerra portuguesas, 13 britânicas e 26 mercantes.

    A 5 de dezembro, aproximadamente a meio-caminho entre Lisboa e Funchal (Madeira), parte da Esquadra Britânica, após a salva da Hibernia respondida pela Conde Dom Henrique, alterou rumo para voltar ao bloqueio de Lisboa. A Esquadra Portuguesa seria escoltada até o Brasil por uma esquadra de quatro naus: Marlborough, London, Bedford e Monarch, sob o comando do Comodoro Graham Moore.
    _________________
    “Independência ou Morte!”
    Lord Strangford que até então tinha acompanhado a Esquadra a bordo da Hibernia, adoentou-se e voltou à Londres. Lá alegou que a Família Real transferiu-se para o Brasil, devido a sua influência. Mais tarde retratou esta versão dos eventos. Com o Governo estabelecido no Rio de Janeiro, foi Ministro Plenipotenciário.

    Alegoria à partida do Príncipe Regente. Gravura desenhada por Domingos Sequeira (1768 -1837 ). No dia 10 de Janeiro de 1808 pelas 11 horas da manhã, a frota que levava a corte portuguesa para o Brasil, cruzou a linha do Equador. A rainha D. Maria I e o príncipe regente D. João tornavam-se os primeiros monarcas europeus a passar para o hemisfério austral.

    Exemplificando o grau de detalhes que hoje possuímos, podemos relatar que naquele dia, a nau Hibernia, por ordens de Sir Sidney transferiu a lancha do Almirante para a Príncipe Real, e as seguintes provisões para a Rainha de Portugal: 13.440 libras de pão em 120 sacos, 1.136 peças, de oito libras cada, de carne de boi e 1.570 peças, de quatro libras cada, de carne de porco e 54 alqueires de ervilhas secas. Marlborough embarcou 43 toneladas de água salgada para compensar a água e mantimentos consumidos desde a sua partida de Plymouth.

    O bom tempo e os livros de quartos desmentem a história relatada por Boiteaux, Esparteiro e outros escritores que, antes da separação, o Capitão da Príncipe Real, Francisco do Canto de Castro e Mascarenhas, manobrou sua nau para que o mimo que Sir Sidney queria oferecer a Dom João fosse entregue por mão, de um lais de verga para outro.

    No dia seguinte, a London recebeu 69 passageiros da nau Príncipe Real, outros (o livro de quartos não especifica o número) foram transferidos para a Monarch. Capitão James Walker reportou ao Almirantado que a Príncipe Real velejava com 1.054 pessoas a bordo. Assim, caso a guarnição de 950 homens estivesse completa, o número de passageiros seria então, de 104 pessoas.

    Naquela noite, escoltado pelo brigue Voador, London pôs-se a caminho de Funchal, para lá fazer aguada.

    Aos 8 dias do mesmo mês, aproximadamente a 50 léguas ao norte da Madeira, com receio de aproximar-se, à noite, de um perigo conhecido como ‘Oito Pedras’, a Esquadra Portuguesa atravessou. As naus Marlborough e Monarch também pararam.

    À noite a visibilidade era muito reduzida devido à chuva, assim mesmo as naus Príncipe Real e Afonso de Albuquerque, sem dar qualquer sinal, partiram com suas fragatas rumo noroeste. Novamente o vento soprava do sueste. O resultado foi que, na manhã seguinte, encontravam-se velejando escoteiro; a nau Príncipe Real com a fragata Urânia, Afonso de Albuquerque com a fragata Minerva e a Bedford. Ainda paradas no mesmo local estavam as naus Rainha de Portugal, Conde Dom Henrique, Marlborough e Monarch.

    Anteriormente, as demais naus tinham obtido permissão de Dom João, para seguirem viagem independentemente para o Brasil.

    Todos os comandantes agora tomaram a mesma decisão. Partiram para os rendez-vous previamente combinados; sucessivamente, oeste da Madeira, ao largo da Ilha de Palma (Canárias), e Praia, na Ilha de São Tiago (Cabo Verde).

    A 11 de dezembro, as naus Príncipe Real e Afonso de Albuquerque, que basicamente tinham seguido o mesmo rumo, reencontraram-se. A 14 de dezembro, Bedford, após ter passado 36 horas ao largo da Ilha da Madeira e enquanto aguardava perto da Ilha de Ferro (Canárias), finalmente avistou-as e, no dia seguinte, pôde anotar que viajavam ‘em conserva’.

    A 21 de dezembro Dom João informou ao Capitão James Walker que tinha decidido ir, sem parar, ao Brasil. O andamento da Esquadra era razoável e não faltava água ou mantimentos. Naquela noite, a fragata Minerva fora enviada à São Tiago para avisar os demais navios da decisão do Príncipe Regente.

    As quatro naus, que tinham passado a noite paradas perto da Madeira, entraram para fazer aguada em São Tiago a 24 de dezembro e lá encontraram a Minerva. A London, que tinha sido enviada para fazer aguada em Madeira, fundeou dois dias depois.

    A 27 de dezembro, de Cabo Verde, partiram com destino a Cabo Frio, distante 823 léguas. Tinham conhecimento que as naus, com a Família Real, velejavam num rumo paralelo ao leste. Assim, diariamente ao alvorecer, Monarch recebia sinal para deslocar-se para o horizonte no sueste. À noitinha, recebia sinal para voltar, evitando perder-se na escuridão.

    A 2 de janeiro de 1808, Bedford reportou que estava avistando três naus no horizonte. Um vento fraco e o fato de que era a única nau de escolta junto à Família Real, impedia-a de investigar. Naquela noite, uma luz azul fora colocada no topo do seu mastro real. Esta foi a única ocasião, após 8 de Dezembro, em que o ascender de uma luz azul foi anotado. O livro de quartos da Marlborough registra, às 11:30h da noite, a presença de uma luz azul no horizonte. Ao meio-dia, as tomadas de posição dessas duas naus mostram uma diferença de cinco minutos de latitude e um grau e cinco minutos de longitude. Devido aos fatos acima e as discordâncias normais na tomada de posição, podemos hoje ter a certeza de que as duas divisões da Esquadra, que viajavam independentemente, estavam a vista uma da outra e, por pouco, não se encontraram. Caso tivesse ocorrido, como teria se desenvolvido a História? Será que Dom João teria ido a Salvador onde assinou a abertura dos portos?

    As naus com a Família Real a bordo, aproximando-se do equador, entraram numa área de calmarias. Levaram dez dias para galgar trinta léguas (esta distância levaria doze horas com um forte vento).

    Hoje, nosso conhecimento das naus que empreenderam esta viagem é quase nulo. Não podemos imaginar, por exemplo, que o trabalho de trazer a bordo o ferro e guardar o seu cabo ocupava 383 homens. Desconhecemos também a qualidade das refeições, a medicina e a higiene a bordo, o tédio e o perigo.

    O progresso lento – mesmo depois de ter ultrapassado esta área de calmarias, pois o vento soprava do sueste – somado ao fato que a Afonso de Albuquerque era uma nau ronceira, contribuíram para que Dom João mudasse seus planos; já se encontravam há 7 semanas no mar. Às 1:20h da tarde de 16 de janeiro, o cúter da Bedford deslocou-se até a Príncipe Real; recebeu ordens de alterar o rumo, pois a decisão tinha sido tomada de ir a Salvador.

    Relatos anteriores de que esta decisão fora tomada por causa da escassez de mantimentos e água, não prosseguem. Após o dia 5 de Dezembro, não houve transferência entre as naus. Quando a Bedford fundeou em Salvador, restava no porão 75 toneladas de água; o carregamento completo, em Plymouth, tinha sido de 225 toneladas. O consumo diário era de 2 toneladas.

    A 22 de janeiro de 1808, portanto após 55 dias no mar, finalmente fundearam em Salvador. A primeira etapa da viagem havia terminado. Alguns dias antes, a 17 de janeiro, a divisão da Esquadra que tinha velejado diretamente de São Tiago, após aterrar em Cabo Frio (um exemplo da precisão possível na navegação desta época), entrou na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro.

    Aos poucos, todas as naus foram chegando: Medusa, bastante avariada, atracou no Recife a 13 de janeiro; Dom João de Castro, danificada e fazendo água, fundeou, no início daquele mês, na Enseada de Lucena (Paraíba); Martim de Freitas, após breve estadia em Salvador, arribou no Rio de Janeiro a 26 de janeiro; Príncipe do Brasil chegou no Rio de Janeiro a 13 de fevereiro portanto, um atraso de quatro semanas, pois teve que se dirigir primeiro à Inglaterra para reparos. Antes, porém, as irmãs da Rainha foram transferidas para a nau Rainha de Portugal.

    Enfim, embora severamente castigadas pelas sucessivas tormentas de inverno, que causaram avarias consideráveis, todas as naus chegaram ao seu destino. Isto reflete a qualidade dos oficiais e das guarnições, assim como do projeto e da construção dessas naus; fruto da experiência de vários séculos navegando regularmente através dos oceanos, em condições de tempo variadas.
    _________________
    “Independência ou Morte!”
    A Família Real, a 23 de janeiro, desembarcou; a Rainha seguiu no dia seguinte. Aos 30 dias daquele mês, o Príncipe Regente visitou a Bedford, examinando todas as partes da nau durante três horas. Enquanto permaneceram em Salvador, as naus preparavam-se para a segunda etapa da viagem: consertos, recebimento de mantimentos secos e salgados e animais vivos (Bedford matou seis bois e três porcos durante a viagem até o Rio de Janeiro).

    Dom João tinha plena confiança no Capitão James Walker. Enquanto esperavam em Salvador mandou transferir para Bedford, nos dias 14, 15 e 17 de fevereiro, 84 cofres com tesouros, para serem transportados até o Rio de Janeiro.

    A 26 de fevereiro, às 10:30h da manhã, a Real Esquadra Portuguesa composta pelas naus Príncipe Real, Afonso de Albuquerque, Medusa e Bedford, pela fragata Urânia, pelo brigue Três-Corações, pelo Activo e pelo Imperador Adriano (os dois últimos substituindo a Dom João de Castro, que não tinha condições de prosseguir viagem sem primeiro submeter-se a grandes reparos), finalmente zarpou. Ao meio-dia, tiveram que parar e esperar pela maré, mas logo depois estavam novamente a caminho e, pelas 4:00h da tarde, fora da baía e em mar aberto.

    A viagem até o Rio de Janeiro foi tranqüila. Nas últimas duas noites pararam, por medida de segurança, pois velejavam perto da costa. A 6 de março, entre descargas de chuva, o vigia da Bedford, às 1:15h da tarde, finalmente avistou terra. Encontravam-se a cerca de oito léguas de Cabo Frio. No dia seguinte, entre salvas dos fortes e das embarcações, chegaram ao Rio de Janeiro.

    Calculamos que a tripulação das Esquadras Naval e Mercante deveria ter sido em torno de 7.500 homens, É impossível saber exatamente quantos foram os passageiros, pois não existe lista. Sabemos detalhes apenas sobre a nau Príncipe Real. No Arquivo Nacional, do Rio de Janeiro, existe listas de passageiros de 5 navios mercantes – cada um levava entre 25 e 40 pessoas.

    Assim calculamos que foram transportados entre 3.500 e 4.500 passageiros; um total, portanto, de 11.000 a 12.000 pessoas. O transtorno na cidade do Rio de Janeiro deve ter sido bem menor que anteriormente relatado – a tripulação da Esquadra Naval continuaria a bordo, por receio de desertores, a chegada se estendeu durante um período de dois meses e muitos dos navios da frota mercante pertenciam a outras praças.

    Dom João ficara tão satisfeito com a atenção recebida da Marinha Britânica que decidiu condecorar os principais oficiais. Um problema era o fato que todas as ordens militares eram também, religiosas; portanto só poderiam ser conferidas a Católicos.

    Para contornar esse impasse, resolveu reviver uma ordem não-religiosa, a Ordem da Torre e Espada originalmente instituída por Dom Afonso V, em 1459.

    A 4 de junho de 1808, aniversário do Rei Jorge III, Sir Sidney Smith recebeu a bordo da London a Família Real. Após os brindes habituais o Príncipe Regente mandou que seu pavilhão, que fora içado a bordo da London, fosse trazido à sua presença a fim de presenteá-lo a Sir Sidney. Em seguida ordenou-o esquatelar seu brasão com as Armas de Portugal para que os seus descendentes nunca esquecessem a gratidão da Família Real pelos serviços prestados nesta jornada.

    Chegada da Família Real portuguesa ao Rio de Janeiro em 7 de Março de 1808. Óleo sobre tela, 609 x 914 milímetros – Quadro de Geoffrey Hunt , esteve em exibição no Museu Histórico Nacional e no Museu Imperial do Brasil. O Príncipe Regente D. João, a Rainha D. Maria II e a Corte embarcaram para o Brasil no dia 27 de Novembro de 1807, devido à 1.ª Invasão Francesa. A frota só se fará ao mar no dia 29.

    Descrição:

    O quadro representa, no centro, a nau Príncipe Real, onde tinham viajado a Rainha D. Maria I, o Príncipe Regente e os seus dois filhos, os infantes D. Pedro e D. Miguel, e o infante espanhol, D. Pedro Carlos de Bourbon, no momento em que acaba de fundear, usando a sua caranguejola, vendo-se o estandarte real a flutuar no mastro principal. Os pequenos botes ao redor da nau transportam personagens que não quiseram deixar de cumprimentar imediatamente a família real, já que o desembarque só se realizou no dia seguinte. Do lado esquerdo está a nau britânica Marlborough, que se encontrava na baía, a disparar uma salva, com a guarnição colocada nas vergas.

    Do lado direito pode ver-se a nau Afonso de Albuquerque, que tinha transportado a princesa Carlota Joaquina e quatro das suas seis filhas, a começar a ferrar as velas preparando-se para entrar no vento e fundear. Atrás está a Medusa, que tinha transportado o ainda secretário de estado dos Negócios Estrangeiros e da Guerra, António de Araújo de Azevedo, futuro conde da Barca, e a fragata Urânia, que escoltou o Príncipe Regente durante toda a viagem. Ao lado destas, a nau britânica Bedford, que tinha acompanhado a frota portuguesa desde as Canárias.

    Mais à direita, na linha de costa o fumo branco representa a salva do forte de Villegaignon, que já não existe, vendo-se também – da esquerda para a direita – a costa de Niterói, a entrada da baía do Rio de Janeiro e o Pão de Açucar.

    Identificar como artistas registraram a viagem, também fez parte da pesquisa.

    Os resultados incluem: o embarque, no Cais de Belém – um quadro pintado por Nicolas Delerive, que se encontra no Museu Nacional dos Coches; alguns leques comemorativos com pequenas imagens mostrando a chegada no Rio de Janeiro.

    Durante 18 meses, um estudo minucioso foi realizado com recomendações ao artista para refletir em sua obra, mínimos detalhes tais como: a força e direção do vento, a luminosidade e o estado do mar assim, como também, a alegria irradiante expressa por todos ao ver e ter a Família Real tão perto, após essa longa e perigosa jornada.

    PORTANTO AGORA TEMOS UMA VISÃO DO QUE FOI A CHEGADA NO RIO DE JANEIRO, QUE ATÉ ENTÃO NÃO TINHAMOS.

    Como muitas vezes acontece, o passar do tempo ilumina e esclarece. Os primeiros críticos, talvez por estarem próximos dos acontecimentos, interpretaram-nos de forma negativa; não enxergaram a grandeza e a coragem da decisão tomada por Dom João, comprovada pelos eventos subseqüentes.

    (*) Kenneth H. Light – Sócio Correspondente do Instituto Histórico de Petrópolis – Membro do British Historical Society of Portugal – Diretor da Sociedade de Amigos do Museu Imperial – Diretor da Sociedade de Amigos do Palácio Rio Negro, Petrópolis.

    Referências em: http://monarquia.org.br/NOVO/obrasilimperial/transmigracao.html
    _________________
    “Independência ou Morte!”
    A fuga da família real portuguesa para o Rio de Janeiro ocorreu num dos momentos mais apaixonantes e revolucionários do Brasil, de Portugal e do mundo. Guerras napoleônicas, revoluções republicanas, escravidão formaram o caldo no qual se deu a mudança da corte portuguesa e sua instalação no Brasil.

    O propósito deste maravilhoso livro, resultado de dez anos de investigação jornalística, é resgatar e contar de forma acessível a história da corte lusitana no Brasil e tentar devolver seus protagonistas à dimensão mais correta possível dos papéis que desempenharam duzentos anos atrás. Escrita por um dos mais influentes jornalistas da atualidade, 1808 é o relato real e definitivo sobre um dos principais momentos da história brasileira.»

    http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?ProdTypeId=1&ProdId=1977255&St=WL366965

    ————–

    Ao que parece, este livro está a ser um sucesso de vendas no Brasil. Vai ser editado em breve em Portugal e conta de forma agradável e cheia de imagens os tempos em que a corte esteve sediada no Brasil.
    _________________
    “Se Deus quiser há-de brilhar de novo a Coroa sobre as Lusas armas…”

    Back to top
    Joana, o livro traz informações maravilhosas como que o Marquês de Marialva era o “masturbador oficial” de D. João VI, entre outros percalços. É lamentável vermos jornalistas dando uma de historiadores, algo lamentável. Apesar da tentativa dele de se utilizar de um vasto material bibliográfico como de autores como Oliveira Viana, ainda existem muitos resquícios do perjorativismo da corte portuguesa no Brasil.
    _________________
    “Independência ou Morte!”

Faça um Comentário!

Você está em: Viajar // Viagem // Como foi a viagem e a chegada da família real no Brasil ?
Copyright © Viajar, Viagem, Viagens | Todos os direitos reservados.